A segunda revolta...

Achei que já estava encerrado os enviados para a nossa capital federal, entretanto me foi designada a missão de falar sobre esse abestado sentimento que parece voltar entre os marinheiros. Vejo que meus companheiros jornalistas do Tribuna do Congresso fizeram bem em chamar esses revoltosos de acéfalos, pois se a primeira revolta já foi um erro terrível, o que os levam a tentar uma segunda revolta?! Já não conseguiram o que queriam?
Nosso brilhante presidente já atendeu às exigências dos marinheiros indisciplinados, acabou com as chibatas, por conseguinte é uma demonstração de ingratidão ao ilustríssimo presidente Hermes da Fonseca alimentar tais sentimentos. Na verdade, deixo bem claro nessa reportagem que não houve uma segunda revolta.
Agora, pergunto-me, para não levar a disciplina de 250 chibatadas, bastava ser um marinheiro comportado, e não fazer uma revolta e colocar em perigo a vida de todos os habitantes do Rio de Janeiro. Será que para eles era tão difícil assim ser uma pessoa disciplinada?!
Enfim, ainda bem que o meu trabalho não foi tão duro assim como o de acompanhar uma revolta sem motivos existentes, pois nosso presidente agiu rapidamente para conter esse sentimento. Nosso governo sempre pensando no bem do nosso povo brasileiro!

Revolta da Chibata e suas causas

A Revolta das Chibatas como ficou conhecido o movimento dos marinheiros em busca de melhores salários e o fim ,dos segundo eles, maus tratos. Porém, a aplicação de castigos físicos como penalidade para graves infraçóes era uma maneira ensinar aos marujos a disciplina.
Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=9jaw7piVMW0&feature=related 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Revolta_da_Chibata

Jornais 1910


As imagens são de jornais de 22/09 a 27/09 de 1910 os quais relatavam a Revolta da Chibata. As suas reportagens contam as causas, consequências do movimento além da reação das autoridades.Essas que estavam incrédulas, já que para elas o uso das chibatas era uma forma de ensinar a disciplina aos marujos.




Segundo nossa querida marinha...

No sexto dia desta leviana revolta, o ministro Marques de Leão exigiu que os marinheiros entregassem todas as culatras dos canhões, o armamento portátil e a munição. Porém, uma culatra de um canhão de 120mm fora desviada, sendo mais tarde utilizadas no bombardeio do quartel do Batalhão Naval. Nota-se que, mesmo tendo anistiado esses paupérrimos cidadãos, o governo não tem fé na proposta de “volta à normalidade”. Aliás, o  teve uma atitude mui desvairada ao anistiar esses desordeiros.
A própria Marinha está muito passiva diante desse ultraje à ordem demonstrando ineficiência,  falta de uma estrutura, despreparo e negligência dos oficiais, primeiramente, por não perceberm o que estava por vir, e também, por ainda não terem total controle sobre o encouraçado de Minas Gerais, de Deodoro, entre outros.




chibatas.blogspot.com.br

Correspondente Astrogildo

Ao desembarcar no Rio de Janeiro no dia 22 de novembro de 1910, eu, Astrogildo, correspondente do Jornal Tribuna do Congresso, me deparei com vários navios de guerra fundeados na Guanabara, mesmo depois de 22 anos da abolição da escravatura, velhas feridas sociais continuavam abertas e os resquícios da escravidão permaneciam vivos dentro da Marinha.
Os novos couraçados tinham seus possantes canhões voltados ameaçadoramente para a população do Rio de Janeiro: era a Revolta da Chibata, liderada pelo marinheiro João Cândido, ''o almirante negro''.
Dentre as reivindicações, que eram absurdas e extraordinárias, figuravam: 
A extinção dos castigos corporais, a suspensão das chibatadas, o tratamento adequado e disciplinador recebidos por eles na marinha e a boa alimentação que eles tinham.
O ápice que gerou a revolta foi a maneira exemplar que a Marinha punira o marinheiro Marcelino Rodrigues com 250 chibatadas.
Na realidade, eles reclamavam de barriga cheia, pois a maioria dos protagonistas eram marinheiros negros e mulatos da camada mais pobre da população.
Mas o governo não deixou por pouco a repressão aplicada foi brutal e merecida, com centenas de massacrados, degredados para o Acre, fuzilados calcinados ou presos, provocando estupor por todo o país .
Disciplina, ordem e respeito são eixos para se construir um estado que respeite as tradições!

Bibliografia : Revista Nossa História Ano 4/ nª 37 
                    Livros: História do Brasil de Boris Fausto
                               História do Brasil  Uma interpretação de Adriana Lopez e Carlos Guilherme Mota.