Revolta de Marinheiros

23 2  Novembro de 1910dens de oficiais.de Novembro de 1910
Matéria por:  José Onofre Morais e Barreto
             Ontem, datado 22 de Novembro, aproximadamente às 22 horas, um dos maiores barcos, o Encouraçado Minas Gerais, foi tomado pelos próprios marinheiros, que assistiam ao marujo Marcelino Rodrigues ser punido, por não ter seguido as ordens de oficiais, ele deveria ser educado novamente. Mas por infortúnio, os marujos dominaram todos os navios localizados na Bahia de Guanabara, alegando ser contra algo que o governo manteve para continuar havendo a disciplina naval, eclodindo uma revolta, matando todos os oficiais que resistiram.
            Foi perceptível um som de canhão explodindo por volta das 23 horas, foi ensurdecedor, utilizado para acionar os outros barcos também tomados por marinheiros e mostrar que a esta fora iniciada.  O Catete foi informado pelos marujos que o movimento só chegaria ao fim se os castigos corporais fossem extintos e obtivessem melhores condições laborais, senão eles bombardearão a cidade e os navios contrários.
            Como é possível haver pessoas que não querem aprender a ser civilizados? Que não gostam de receber dinheiro digno e comida? O Catete não deve aceitar uma ameaça de marujos, que não passam de negros, analfabetos, mendigos e descalços, que não entendem o que é bom e necessário para eles, e que sem esse serviço, estariam presos ou na sarjeta. O Prefeito Bento Ribeiro, o chefe da marinha e o chefe da polícia disseram que se os marujos não renderem, os navios invadidos serão bombardeados.
Encouraçado Minas Gerais - 1º  barco  invadido
O chefe da marinha disse que os oficiais só foram interceptados, pois estavam despreparados para um ataque de quem sempre fora fiel a seus superiores, e foi estimado, pela manhã, aproximadamente 300 corpos de civis espalhados pela costa. Acredita-se que foram 20 barcos tomados pelos marinheiros, algo jamais visto, pois o Brazil é a terceira maior potência naval.
O Jornal Tribuna do Congresso acompanhará detalhadamente a chanchada, até essa não obter uma solução concisa. 
Atenciosamente,
                                       José Onofre Morais e Barreto.



FONTES:  http://wellingtonrodriguesdf.blogspot.com/2010/11/22-de-novembro-19102010-100-anos-da.html



4 comentários:

  1. Venho por meio desta, responder às vossas senhorias a respeito do comentario realizado sobre nossa justa revolta. A morte nao acontece apenas fisica, mas moralmente. Nossas formações morais e valores sociais são degradados a cada chibatada imposta. O erro de um, justifica a união de todos, que nao aguentam mais tamanho desrespeito e agressão. Tais castigos se mostram como se considerassem que ainda somos escravos e animais. Lembro-os que a abolição aconteceu em 1888 e já é hora dos senhores se darem conta disso.

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  2. Giovanny Prado - Negro local
    Sou obrigado a discordar do posicionamento adotado pelo jornal em relação à revolta. Francamente, acham que é divertido ser tratado com inferioridade apenas por ser negro? Se houve derramamento de sangue, foi por uma causa nobre, uma vez que se fizessem uma simples passeata pacífica, garanto-lhes, nada mudaria. As chibatadas podem ser apenas um castigo físico, porém a discriminação que os marinheiros sofrem é um castigo racial e desnecessário. Se fizeram o que fizeram, foi por uma causa nobre.

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  3. Vejo que há aqui uma conspiração, todos contra nosso presidente e a marinha brasileira, que é a 3ª melhor do globo mundial. Esses argumentos realmente não são aplicados para a situação atual, não percebem que não se trata de um questão racial? Que os dados inseridos se referem a todos os marujos, pois nem todos eram negros... Que essas chibatas ocorrem em nosso país desde o surgimento da Marinha, em 1822, pelo Marques de Tamandaré (Joaquim Marques Lisboa), que usava as chibatas para punir os marinheiros que não faziam seu serviço direito.
    E com a libertação dos escravos, eles precisavam de empregos, e quem deu a eles foi o governo, que os tirou da rua, trazendo condições dignas para viver.
    Não venham dizer que a dignidade deles foi ferida, pois eles sabiam da existência da chibata, e desobedeceram porque possuíam livre arbítrio, devendo ser punidos, para aprender de fato como tratar seus superiores. Eles fizeram isso não por uma causa nobre, e sim pois eram loucos que queriam destruir a Bahia de Guanabara, fazendo muitos perceberem que o local deles não era com os grandes marinheiros e sim em hospícios. O governo os apóia, defende e salva de males, e eles simplesmente querem destruir tudo aquilo que os fez bem, deu dignidade laboral e racial.
    Realmente é uma pena existirem pessoas que não sabem aproveitar as boas oportunidades do congresso.

    Agradecido,
    José Onofre Lima e Barreto.

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  4. Compreendo sua indignação, e faço da sua a minha opinião! Os marinheiros que servem nosso país não deveriam se voltar contra aqueles que pagam seu soldo e os alimentam, e sim deveriam lutar pelo seu progresso. E para que o progresso ocorra, a ordem deve ter mantida, reprimindo os revoltosos.

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